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label/O tempo nos sonhos lúcidos II

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        O primeiro livro que talvez boa parte dos interessados sobre sonhos lúcidos tenha encontrado, provavelmente é Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge. Considero uma espécie de “Bíblia dos Sonhos Lúcidos”.
        Uma das grandes vantagens desse livro, além da leitura bem acessível para qualquer leigo no assunto, é que ele não precisa ser lido na sequencia estabelecido pelo autor. Talvez é claro, seja necessário para alguns as introduções contidas logo no início e nos primeiros capítulos, mas para os demais capítulos pode ficar bem a critério do gosto do leitor.
O livro Sonhos Lúcidos é para mim, o que li de mais completo sobre o tema da consciência nos sonhos.
        A obra trata em linguagem bem simples, do tema da consciência nos sonhos, pelo sujeito que conseguiu ser o primeiro pesquisador a comprovar perante a comunidade científica, a existência dos sonhos lúcidos. No próprio livro é possível acompanharmos como foi parte dessa trajetória, citação de outro pesquisador precursor na área, Keith Hearne, a superação da filosofia analítica de Normam Malcom, o qual esse renomado pensador, atacava na sua obra Dreaming a idéia de que havia qualquer possibilidade de raciocínio nos sonhos(pelo fato de entrar em questões filosóficas interessantes, vou voltar a esse tema em um post futuro) e a incrível luta pelo reconhecimento dessas comprovações, efetuadas em laboratório do sono.
Stephen LaBerge é a mente por trás da comprovação científica da existência dos sonhos lúcidos.
         Encontramos no livro Sonhos Lúcidos, toda uma parte histórica dos sonhos lúcidos, sobre os primeiros registros, os primeiros pesquisadores até culminar com o sucesso de LaBerge frente aos mais céticos filósofos e cientistas.
         Interessante mesmo notar a presença no livro de grandes sonhadores lúcidos, como Beverly D’Urso e Allan Worsley que foram pioneiros e decisivos na colaboração dessas pesquisas, alguns deles envolvidos com a área até os dias de hoje.
         Problemas comuns como aqueles que buscam erroneamente controlar a narrativa do sonho e não o autocontrole… os primeiros experimentos com o tempo nos sonhos, sexo nos sonhos, enfrentamento de pesadelos , a descrição minuciosa da técnica do rodopio para prolongar os sonhos lúcidos, métodos para induzir sonhos lúcidos, como o MILD e algumas orientações interessantes do psicoterapeuta alemão Paul Tholey

Tarthang Tulku escreveu que “pode ser uma grande vantagem perceber que um sonho é um sonho en­quanto estamos sonhando” – desde o século VIII há registros do valor especial dado aos sonhos lúcidos pelos budistas tibetanos(na imagemSiddharta Gautama-O Buda).  
          Há na verdade muitos assuntos relacionados, em que o doutor LaBerge destaca em seu livro e que invariavelmente não deixarei de percorrer em algum momento por aqui, mas é absolutamente recomendável a leitura desse livro para todo onironauta ou aquele que tem algum interesse no tema da consciência nos sonhos.
          Infelizmente o livro se encontra esgotado aqui no Brasil, mas em alguma das comunidades(Orkut ou Facebook) de sonhos lúcidos, pode-se encontrar facilmente algum link para download. E claro há a bela opção de comprar pela Amazon.com, porém sem a opção do livro em português.
Fonte:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)

      Um dos artigos mais instigantes que li sobre o tema dos sonhos, assinado pelo neurobiologista Ph.D, Sidarta Ribeiro e por Miguel Nicolelis, um dos maiores neurocientistas da atualidade, apresentam um trecho que eu não poderia me furtar de compartilhar no blog.
      O texto trata das teorias das funções dos sonhos, menciona casos famosos(Kekulé, Mendelev, Elias Howe etc..) de grandes soluções para problemas, por meio do estado mental dos sonhos. Há dois parágrafos que acho especialmente fascinanes que finalizam o artigo, publicado na revista MenteCerebro*, os quais fazem referência aos sonhos lúcidos e cogitam, ou melhor, fazem um exercício de imaginação especulativo, para alguma aplicação prática futura dos sonhos lúcidos:
Especula-se a possibilidade dos sonhos lúcidos servirem como aprendizado virtual.
      “É interessante especular sobre como serão os sonhos dos seres humanos no futuro, à medida que as pressões seletivas sobre nossa espécie continuem a mudar. Uma possibilidade é a generalização social do sonho lúcido, um estado de simulação onírica consciente praticado há muitos séculos pelos iogues tibetanos por meio do controle da respiração e da postura. Os sonhos lúcidos ocorrem durante episódios de sono REM de alta intensidade metabólica, e se caracterizam pelo fato de o sonhador assumir controle parcial ou total da narrativa onírica.
       Apesar dos abundantes depoimentos subjetivos sobre o uso dos sonhos lúcidos para o treino de habilidades usadas na vida real, o potencial cognitivo desses sonhos ainda está por ser sistematicamente explorado pela ciência. Se confirmado e disponibilizado para o público em geral, o uso dos sonhos lúcidos para o autoconhecimento e aprendizado virtual pode vir a representar um salto de grandes proporções para a evolução da consciência humana.”
“O potencial cognitivo desses sonhos ainda está por ser sistematicamente explorado pela ciência”.
        Esse último trecho quando li, lembrou-me uma cena espetacular do filme O Passageiro do Futuro, baseado numa obra de Stephen King, no qual um jardineiro com atraso mental(Jef Fahey) serve de cobaia para o cientista(Pierce Brosnan) que através de um grande aparato tecnológico de uso da realidade virtual, junto com substâncias químicas inovadoras, provocaram um assombroso upgrade mental no jardineiro.
        Delírios cinematográficos à parte, a divulgação desse conhecimento já está acontecendo mais rapidamente. Pelo menos há uma diferença significativa de alguns anos atrás para agora, em termos de fontes de pesquisa e informação sobre o assunto. O que inicialmente se limitava há alguns poucos livros sobre o tema, agora já podemos encontrar muitos sites sobre o tema, revistas, livros, artigos etc..
          Pode-se encontrar atualmente máscaras e algumas ferramentas tecnológicas como vídeos com mensagens subliminares, músicas e outros que objetivam induzir a consciência nos sonhos. Verifica-se uma crescente desvinculação na mídia do assunto com relação aos temas esotéricos.
          Percebe-se que a área vem sendo cada vez  mais explorada, desde a sua comprovação científica na década de 80, por Keith Hearne e Stephen LaBerge. Parece inevitável que a habilidade de ficar consciente nos sonhos conquiste mais e mais pesquisadores, voltados para as investigações do comportamento da mente nesse estado alterado de consciência.
           O mesmo artigo supra-citado faz referência a diversidade dos tipos de sonhos de acordo com as necessidades da espécie. Dentro das teorias da função dos sonhos, nossa espécie se encontra em situação privilegiada frente aos demais animais. Nossos sonhos já há muito deixaram de se resumir em reflexos de preocupações/temores/simulações de atividades básicas de sobrevivência e reprodução. Talvez nossos sonhos realmente se direcionem para áreas até então sequer imaginadas. Melhor ainda… que novos terrenos podem ser desbravados com a exploração dos sonhos lúcidos? Experimentos com memória?, Experimentos com a percepção do tempo?, Sonhos lúcidos para o aprendizado?, Novas formas de prazer?, Um simulador mental como oráculo onírico de possibilidades? O leque está apenas se abrindo. 😉

*Fonte:
RIBEIRO, Sidarta e NICOLELIS, Miguel. Nas asas do sonho. Revista Mente & Cérebro – Edição Especial nº 13 pg. 28-35. Ediouro – Duetto Editorial Ltda.
http://www2.uol.com.br/vivermente/