ÚLTIMOS

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Experiência Tátil nos Sonhos


  A experiência tátil no sonho parece representar um valor interessante nas ocorrências de sonhos lúcidos. É possível encontrar dentre as técnicas de prolongamento do sonho, o ato de "esfregar as mãos".  Particularmente, prefiro me utilizar da minha Técnica das Portas, embora já tenha realizado alguns experimentos com a fricção das palmas, buscando protelar o fim do sonho.

Imagem do excelente filme Duna, baseado na obra-prima de Frank Herbert. Na cena, os guerreiros Fremen Fedaykin usam as mãos para marcar seus uniformes.


   O relato a seguir, vem de dois sonhos recentes que tive, utilizando-me do tato, como uma maneira de me manter firme, até o sonho terminar de se formar. Trata-se daqueles momentos que antecedem a estruturação do sonho. A aplicação da Técnica Tátil pode ser lida no texto anterior ou aqui.


Desafio: como meu inconsciente representaria para mim uma inteligência com 1 bilhão de anos?

    "Lembrei de uma última conversa com a Lúcia(minha noiva), sobre como seria encontrar um ser vivo, com inteligência desenvolvida por um bilhão de anos. Dentro da casa, recordei que tinha planejado encontrar num próximo sonho lúcido, um ser que tivesse um bilhão de anos.
    Abri portas procurando e me deparei com uma sombra ou uma figura negra, totalmente escura que rapidamente desapareceu. 


A Técnica das Portas é um ferramenta que criei e permanece de grande eficiência para mim. Serve para prolongar a experiência do sonho lúcido, adentrar num ambiente mais claro(quando o sonho começa a desabar), encontrar certos cenários, objetos ou pessoas.


      Segui atrás e encontrei uma senhora de costas, cabelo um pouco Chanel e castanho claro. Perguntei se seria possível ser alguém com um bilhão de anos ou daquela civilização com tanta idade. Respondeu-me com um leve sorriso. Depois dali prossegui pela casa encontrei uma mãe e uma criança. Cheguei a me questionar se seria outra representação desse desafio, já produzindo outro resultado e continuei me aproximando. Dei uma olhada e segui para fora.

    Lembrei de outra coisa que queria fazer faz tempo que era correr descalço sobre a grama. E logo encontrei, um gramado que beirava a rua. Corri sentindo a grama sob meus pés e relembrei a sensação, saltei quando ela acabava e brinquei um bocado assim. Tive vários falsos despertar, mas voltava consciente no sonho. 

    Em outro no inicio deles, eu senti a parede com trepadeiras nas minhas mãos. Fiz um personagem do sonho levitar e puxei ele como em telecinese até perto de mim. 
      Na minha conversa com o ser de um bilhão de anos, construído pelo meu inconsciente, bati um papo sobre o mundo, minha identidade e afins...

      Por fim, alcei voo muito feliz com as possibilidades sobre grandes prédios."


Neo voando sobre entre prédios em Matrix Reloaded. Um dos filmes que mais assisti ;D



      Minha próxima experiência, será sonhar com uma sequencia de memórias específicas de duas décadas atrás. Naquela época fiz uma reflexão de como seria interessante poder reviver o momento que estava passando. Eu estava sentado num banco da escola, fitando o grande corredor vazio. Vou me utilizar da técnica de indução MILD e recursos como Diário de Sonhos, Reality Checks das mãos. O tato acredito que será bem importante, como foi nesse último relato. Até lá!

Postado por Márlon Jatahy 10

domingo, 12 de julho de 2015

O Valor Surpreendente da Experiência Tátil nos Sonhos Lúcidos

    Baseado em experimentos pessoais, assim como a Técnica das Portas, eis que a sensação Tátil está se revelando com um surpreendente valor para mim. Trata-se de um dos sentidos menos explorados nos sonhos, pelo menos de acordo com os relatos, porém com resultados bem interessantes, especialmente nos meus últimos sonhos lúcidos.

A experiência Tátil pode servir para os momentos que antecedem a formação do sonho. Ao que parece, o tato pode ser sentido antes do sonho se realizar, contribuindo para manter a consciência, até a sua concretização.


   Com a chegada das Férias, a qualidade do sono pode melhorar, bem como o stress com os problemas do trabalho. No meu caso, não me furto em aproveitar a oportunidade para fazer mais testes com sonhos lúcidos, e agora, estou explorando o uso do sentido do tato.

    Experiências anteriores, com sonhos ainda não formados, já me sinalizavam que a sensação tátil pode ocorrer facilmente e de maneira natural. Reparem que estou me referindo aos momentos anteriores ao sonho, situações nas quais tudo está escuro e nada é sentido ou presenciado.

A Técnica:

    Nessas situações, com uma espécie de pequeno lampejo de consciência, vivenciado esse nada, procuro sentir o chão. Alguma solidez abaixo de mim e assim que ela é sentida, passo a engatinhar, dando continuidade a essas sensações.
      O movimento passa a acompanhar a experiência tátil. Passo a sentir a textura de alguma parede próxima, do engatinhamento, passo para um caminhar de cócoras e/ou de joelhos. Prossigo por um tempo, até sentir que será inevitável encontrar uma porta
      Busco então através do tato, encontrar uma maçaneta. No  momento que a sinto em minha mão, giro-a e desejando encontrar um cenário luminoso.


Exemplo de sonho recente:

    "Era um lugar muito escuro, não conseguia enxergar coisa alguma, mas sentia que era o sonho se iniciando. Lembrei de tatear o chão e como já havia funcionando tão bem anteriomente. Fui tateando e sentindo o chão. Prossegui e de repente fiquei sem gravidade de cabeça pra baixo. Não conseguia me manter.

Imagem do excelente personagem de quadrinhos, o Demolidor(com ótima série no Netflix), propriedade da Marvel, em que o personagem possui uma avançada cinestesia(propriedade do tato) e radar especial de percepção avançada.


    Devo ter tido um falso despertar e recomecei da mesma maneira, tateando e insistindo em continuar no sonho até ele se formar. Finalmente era uma rua e estava clara. Resolvi dar uma corrida. Tentei lembrar se havia algo planejado para fazer. Lembrei que nosso desafio, meu e da minha amada Lucia já havia sido feito(resolver um problema). E não havia desafios para cumprir, pelo menos previamente combinados.  Resolvi fazer umas flexões. Fiz algumas e também corri.  Vi uma bicicleta passar pela rua(...). Cheguei numa casa e abri porta.

     Lembrei de uma última conversa com a Lúcia, sobre como seria encontrar um ser vivo, com inteligência desenvolvida por um bilhão de anos. Dentro da casa, recordei que tinha planejado encontrar num próximo sonho lúcido, um ser que tivesse um bilhão de anos(continua...)".


Postado por Márlon Jatahy 6

sábado, 6 de junho de 2015

Dennett X Sonhos Precognitivos

Daniel Dennett ¹, um conhecido filósofo da mente, já citado no texto anterior, apresentou uma interessante alternativa a forma como é aceita a concepção dos sonhos. Dentro dessa teoria, ocorre uma explicação razoável para eventos coincidentes nos sonhos com acontecimentos na vida desperta. Coincidências essas normalmente chamadas de sonhos precognitivos...

Com a Teoria da Biblioteca dos Cassetes, proposta por Daniel Dennett, nossos sonhos não seriam experimentados e a própria memória está comprometida. Assim, não estaríamos vivenciando aqueles relatos, mas na melhor das hipóteses, conseguindo trazer da memória alguns eventos ali gravados e reproduzidos no despertar. Desse modo, os sonhos não seriam tecnicamente experimentados, mas apenas recordados, extraídos de nossa biblioteca mental... como em cassetes.

Em seu texto, Dennett (1978) afirma que, de acordo com a concepção da teoria dos cassetes, nossos sonhos “pré-cognitivos” nunca são sonhados de forma alguma, mas apenas supostamente “lembrados” ao acordarmos. Sendo assim, os mecanismos de memória estariam vazios até o momento de acordar e não se trataria de episódios experimentados.  Não existindo assim, a experiência do sonhar.

Como certos sonhos parecem tão diretamente influenciados pela narrativa, com seus desfechos, incidindo coincidência com eventos do ambiente ao despertar, cria-se a questão de como os sonhos poderiam antecipar acontecimentos do estado desperto. Essa questão, proposta por Dennett (1978), cita um exemplo: 

"num experimento em laboratório, no qual formas diferentes estavam sendo utilizadas, para efetuar o despertar de pessoas que sonhavam e nesse caso, uma delas foi estimulada a acordar, com pingos de água fria nas costas. Seu relato, informou que estava cantando numa ópera, quando de repente percebeu a soprano ser atingida por pedaços do teto; o sonhador foi em direção a soprano e ao se debruçar para protege-la, sentiu em suas costas o gotejar da água fria."




Teixeira (2008) ² chama atenção para alguns pontos positivos e outros negativos da teoria proposta por Dennett. Nesse sentido, favoravelmente, com a relação estreita entre o despertar e a capacidade de recordação, encaixando-se como fenômeno alucinatório instantâneo ao acordar, a teoria dos cassetes cobriria assim, como uma alternativa a ideia de existência de sonhos pré-cognitivos. 
Certos fenômenos de antecipação de eventos ou precognição ao despertar poderiam ser explicados. De acordo com Teixeira, um telefone que é avistado no sonho e começa a tocar, em coincidência com o sonho?...  Para o filósofo brasileiro, através da teoria dos cassetes: "A resposta de Dennett é que este tipo de sonho ocorre precisamente ao despertar e se explica pelo despertar. Afora esta solução, a única alternativa seria introduzir o conceito de precognição em nossa teoria do conhecimento, o que, neste caso, equivaleria a trocar o obscuro pelo mais obscuro, pois este é um fenômeno sobre o qual praticamente nada sabemos".

Bibliografia:

(1)DENNET, Daniel C. Brainstorms: Ensaios Filosóficos Sobre Mente e Psicologia. São Paulo: UNESP, 1978.

(2)TEIXEIRA, F. J. A mente segundo Dennett. Perspectiva São Paulo: Perspectiva, 2008.
 
Postado por Márlon Jatahy 7

domingo, 3 de maio de 2015

Sonhos são experiências? Sonhar que está sonhando...


  Daniel Dennett, um dos mais conhecidos filósofos da mente da atualidade, apresentou em 1978 um instigante questionamento em seu texto: “Os Sonhos são experiências?”¹. Seu tema, com referências ao livro Dreaming de Norman Malcolm(1959), reacendeu a chama da questão dos sonhos e sua relação com a consciência. Afinal, teriam os sonhos a validade de experiências? Acerca da natureza dos sonhos lúcidos: a possibilidade de ser um tipo de sonho no qual a pessoa "sonha que está sonhando".

Imagem baseada no filme animado japonês Páprika(2006). Na história, desenvolveu-se um aparelho que permite os psicólogos, entrarem nos sonhos de seus pacientes para prestar maior auxílio. Mas afinal, Dennet estaria certo e máquinas assim não fariam o menor sentido?!...


   O texto elabora uma alternativa, denominada por Dennett de Teoria da Biblioteca dos Cassetes, contra o ponto de vista do senso comum ou como é chamada na obra, a “Concepção Aceita”, na qual, os sonhos deveriam ser considerados como experiência. Um de seus argumentos, ergue-se no sentido de que a própria memória está comprometida e não estaríamos vivenciando aqueles relatos, mas na melhor das hipóteses, conseguindo trazer da memória alguns eventos ali gravados e reproduzidos no despertar. Desse modo, os sonhos não seriam tecnicamente experimentados, mas apenas recordados, extraídos de nossa biblioteca mental.
  
   Dennett contra-argumenta também, frente ao texto de Kathleen Emmett² de que o sonho lúcido seria o fenômeno que comprovaria a validade dos sonhos como experiência. Para Dennett, o sonho lúcido estaria enquadrado nesse processo de produção de memória inconsciente. Dessa maneira, vez por outra esse processo gravaria traços de si mesmo no registro: "por meio da fantasia literária de um sonho dentro de um sonho". Não seria novidade alguma, afinal o filósofo afirma, pelo menos a partir das Meditações em Descartes, o poder dos sonhos(que é um dos argumentos cartesianos), leva-nos a compreender como é possível ser contada qualquer história nesse mundo. Qualquer história!...


Livro do filósofo Daniel Dennet, no qual apresenta uma teoria que contraria a idéia do senso comum sobre sonhos.


   Outro interessante argumento proposto por Dennett contra a Concepção Aceita, segue no sentido de uma explicação mais razoável com relação a "sonhos precognitivos" ou sonhos premonitórios. Resumidamente, o filósofo apresenta uma série de casos onde existiriam implicações de que a narrativa  dos sonhos estaria sendo acionada retrospectivamente, ou seja logo após o despertar. O conteúdo onírico levaria até o ponto final, com flagrante semelhança ao estímulo de vigília para resultar em mera coincidência. A Concepção Aceita não ofereceria alternativa senão a existência de sonhos precognitivos.

   No próximo post, vou apresentar mais detalhadamente o argumento, no qual Dennett oferece uma explicação mais simples para os "sonhos precognitivos".


Referências Bibliográficas:



(1)DENNET, Daniel C. Brainstorms: Ensaios Filosóficos Sobre Mente e Psicologia. São Paulo: UNESP, 1978.

(2)EMMETT, Kathleen.: Oneiric Experiences. Philosophical Studies 34. Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1978.
Postado por Márlon Jatahy 11

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Incrível Hiper-Realismo dos Falsos Despertar


    É possível identificar momentos especiais dos nossos sonhos, em que nos deparamos com um nível de realismo esmagador. O evento conhecido como "falso despertar", pode resultar em sonhos com elementos surreais(como qualquer outro sonho), mas também é capaz de apresentar uma surpreendente verossimilhança com o real.

    Bem conhecido da maioria das pessoas que se interessam por sonhos, o falso despertar parece mais comum nas últimas horas de sono. Normalmente envolve uma simulação, por meio de sonhos, daquela sucessão de momentos no qual despertamos e passamos a fazer coisas comuns da nossa rotina: ir para o banheiro, cozinha, para o estudo ou trabalho...

    De acordo com Thomas Metzinger*, filósofo e pesquisador da área dos sonhos, esse realismo verificado nos falsos despertar, pode ocorrer em função de uma antecipação natural de eventos que vivenciamos ao despertar.




    Um relato fascinante encontrei, a partir de um experimento de laboratório de sono, do psicólogo francês Yves Delage:

   "Isso aconteceu quando eu estava no Laboratório Roscoff. Uma noite eu fui acordado por batidas fortes na porta do quarto. Levantei e perguntei: 
- Quem está aí?
- Senhor - veio a voz de Marty, monitor do laboratório - é a Madame H***(alguém que de fato estava morando na cidade naquele tempo e era minha conhecida), quem está pedindo para o senhor vir imediatamente para sua casa, para ver a senhorita P****(que de fato residia com com ela) que ficou doente.
- Já vou me vestir e irei. Vesti-me rapidamente, mas antes de sair eu fui ao banheiro, passar uma esponja úmida no rosto. 
    A sensação de água gelada me fez despertar na cama do laboratório e perceber que havia sonhado com todos aqueles eventos anteriores e que ninguém havia me chamado. Votei a dormir e pouco depois, a mesma batida forte na porta acompanhada da voz de Marty:

- Senhor, não irá atender o chamado?
- Meu Deus! Então era verdade?! Achei que tinha sonhado com isso tudo.
- Não mesmo. Venha rápido. Eles estão esperando.
- Tudo bem, eu estou indo - novamente eu me vesti, fui para o banheiro e ao passar a esponja com água gelada no rosto, acordei mais uma vez e entendi que eu estava sendo enganado por esses falsos despertar. 

  Voltei a dormir e tudo se repetiu mais duas vezes. Pela manhã, quando eu realmente despertei, pude notar a jarra de água cheia, a tigela vazia e a esponja seca. Compreendi que tudo fora mesmo um sonho; não apenas as batidas na porta e as conversas com o Marty, mas todas vezes que me vesti, que fui ao banheiro e que lavei meu rosto, eu tive a crença de ter acordado depois de ter sonhado e voltado para cama. Toda série de ações, raciocínios, pensamentos e sensações foram nada mais que um sonho repetido quatro vezes em sucessão, sem interrupção no meu sono e sem que tivesse deixado a cama.





    Particularmente tive uma experiência interessante nesse sentido. Uma madrugada tive meu sono interrompido, com o alarme de uma residência vizinha disparando. Era um imóvel desocupado e o alarme disparava noite adentro com interrupções esporádicas.
    Levantei-me algumas vezes, cada vez mais irritado com a situação. Já havia ligado para a polícia e nada de cessar o barulho infernal. Até que numa dessas disparadas, levantei louco da vida, fui até a janela e percebi uma presença no quarto... era uma mulher morena, linda e... finalmente me lembrei de que não deveria existir mulher alguma no meu quarto(solteiro na época).

    Nesse sonho acima relatado, fiquei lúcido(e segui com ele).

    Metzinger defende que esses falsos despertar podem conter um realismo profundo. Por experiência própria compartilho dessa perspectiva.

Referência Bibliográfica:

METZINGER, Thomas; WINDT, Jenifer Michelle. The Philosophy of Dreaming and Self-Consciousness: What Happens to the Experiential Subject during the Dream State?
 
Postado por Márlon Jatahy 20

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Podcast sobre Sonhos Lúcidos no Meia Lua

O site Meia Lua produziu um podcast especial sobre sonhos lúcidos. Vale a pena conferir: http://gamehall.uol.com.br/meialua/meialuacast-049-sonhos-lucidos/






Postado por Márlon Jatahy 15
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...