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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Visita ao Instituto do Cérebro - UFRN


     Tivemos o privilégio de conhecer de perto as instalações do Instituto do Cérebro - UFRN, em Natal-RN. Trata-se de um centro de pesquisas brasileiro, o qual reúne mentes brilhantes do nosso país e de outras nacionalidades. O Professor Doutor Sérgio Arthuro Mota Rolim, autor de tese "Aspectos Epidemiológicos cognitivo-comportamentais e neurofisiológicos do sonho lúcido"¹, segue conduzindo pesquisas em neurociências e nos apresentou pesquisas em andamento no instituto.



     No bate-papo comentou sobre a recente pesquisa(fora do instituto) com sonhos lúcidos, realizada por Ursula Voss, Allan Hobson e outros, na qual foram induzidos sonhos lúcidos por estímulos elétricos. A pesquisa traz dados curiosos, como a possibilidade de indução da consciência em sonho REM, numa faixa específica de frequência, conhecida como Gama, oscilando entre 25 e 40 Hz. Para Rolim, essa linha de pesquisa ainda deverá se aprofundar, para obtenção de resultados mais sólidos.





     Tivemos a oportunidade de acompanhar uma pesquisa junto ao Hospital Universitário Onofre Lopes, onde o professor Sérgio pesquisa a aplicação de aumento de latência de sono REM e seus efeitos sobre a depressão. No laboratório de sono, acompanhamos o início do sono do paciente-voluntário e tivemos uma mini-aula sobre os registros de atividades neurofisiológicas e o significado dos diversos tipos de frequências cerebrais.

   
Mini-aula com o professor Sergio Rolim sobre neurofisiologia.

       Com pesquisas desde 2007 sobre sonhos lúcidos, totalizando 13 anos com o sono em geral, Sérgio fez observações fascinantes sobre o tipo de estímulo que acredita ter mais possibilidade de interferência ou ser incorporado no sonho: o som. De acordo com os relatos coletados, em suas pesquisas, verificou ser uma ferramenta, com grande potencial para se trabalhar possíveis frequências de indução de sonhos lúcidos.


       Ainda no Instituto do Cérebro, tivemos a oportunidade de conversar com alguns pesquisadores e presenciar o andamento de pesquisas como na área de neurobiologia celular, biotecnologia, neurofisiologia computacional, neurofeedback entre outros...


Visita ao laboratório, no qual acontecia a pesquisa com neurofeedback.


        Voltamos a conversar sobre a pesquisa realizada por Sérgio Rolim, através de um grande questionário para mais de 4.000 sonhadores lúcidos. Foram 20 questões, relacionando elementos como aspectos desses sonhos, temas recorrentes e fatores determinantes na indução.

       Com a análise dos resultados, descobriu-se a identificação de possíveis elementos que favoreçam a indução da consciência nos sonhos, com destaque em primeiro lugar para a intenção. Isso significaria que adormecer desejando ter o sonho lúcido, pode ser mais determinante do que se imagina. Tal resultado é corroborado por pesquisadores alemães², em que fizeram um levantamento sobre diversas técnicas de indução e a intenção(propósito) ficou com uma pontuação razoável.

         
Casal de sonhadores lúcidos  que realizou a visita :)

           Já ressaltei a importância da indução algumas vezes. Vale relembrar uma boa ideia de sua aplicação: 

    - Antes de dormir, procure se imaginar, intensamente, experimentando um sonho ou vivenciando um sonho como se já estivesse nele. Ainda durante esse exercício imaginativo - acordado - reconhecendo que está sonhando.


Fontes: 

(1) ROLIM, Sérgio A. M. Aspectos Epidemiologiocos Cognitivos-Comportamentais e Neurofisiológicos dos Sonhos Lúcidos. Tese(Doutorado em Psicobiologia).  - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal. 2012.

(2) STUMBRYUS, Tadas. ERLARCHER, Daniel. SCHADLICH, Melanie. SCHREDL,Michael Schredl Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. Conciousness and Cognition 28.07.2012 - ELSEVIER.

http://www.sonhoslucidos.com/2012/12/aspectos-socio-demograficos-cognitivo.html

http://www.sonhoslucidos.com/2014/05/proposito-na-inducao-de-sonhos-lucidos.html


Postado por Márlon Jatahy 12

quinta-feira, 5 de junho de 2014

'Como cheguei até aqui?' - Um teste de realidade fascinante.

Uma cena surpreendente e espetacular, no filme A Origem(Inception), quando Cobb está conversando com Ariadne, numa lanchonete e em meio a conversa, questiona-a: "como você chegou aqui?"



    Olhar para as mãos, acionar interruptores, puxar o dedo da mão, prender o nariz e a boca e continuar respirando, olhar para o relógio... todos esses testes de realidade se utilizam da fragilidade da estrutura do sonho, no que se refere a presença da lógica ou mecanicismo. Vale lembrar que quando sonhamos, o que funciona mais forte é nossa criatividade ou imaginação. Por isso é tão difícil ler textos ou números.
 
     Dentre os Reality Checks ou Testes de Realidade mais conhecidos, questionar-se "Como cheguei aqui?" é um dos mais consagrados entre os sonhadores lúcidos. Para quem ainda não sabe, um reality check é uma ferramenta que auxilia na indução da lucidez no sonho. Funciona com base na falta de continuidade da maioria dos sonhos.

    No caso da questão "Como cheguei aqui?", direciona-se para um ponto fraco especial dos sonhos que é essa fragmentação, falta de linearidade tão comum de se encontrar por lá. Durante os sonhos, quando saímos de uma aula e vamos para casa, raramente temos que fazer todo o trajeto. Em um momento estamos em meio a uma aula e como num salto/flash, pulamos para uma cena já em casa.



     Bruno Grego, um sonhador lúcido experiente - com entrevista publicada aqui no blog -  o qual participou da pesquisa de doutorado do Dr. Sérgio Rolim é um adepto dessa técnica. Sua eficiência, era na época, de média de 2 sonhos lúcidos por semana.

     Minha sugestão é unir dois Reality Checks em um só. Ao observar sua mão durante o dia(de 5 até 10 vezes por dia está ótimo), questione-se: "Como cheguei aqui?". Serão dois pontos sensíveis dos sonhos sendo analisados ao mesmo tempo. Continuidade da narrativa e a lógica do número e forma dos dedos nas mãos.

     
    

  

Postado por Márlon Jatahy 36

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Propósito na indução de Sonhos Lúcidos: Don´t think you are... know you are.

     Um caminho bem simples para conseguir ficar consciente num sonho é saber se utilizar do "Propósito ou "Intenção". Foi pesquisada como técnica de indução, num estudo realizado por Tadas Stumbrys, Daniel Erlarcher e outros, conforme artigo publicado sob o título "Indução de Sonhos Lúcidos: Uma Sistemática Revisão de Evidências" (fonte abaixo).

A intensidade como desejamos realizar o propósito de ficarmos consciente num sonho é proporcionalmente determinante à eficiência de ter um sonho lúcido. Na imagem, um dos personagens criados em meus sonhos, durante minha infância: o "Doutor Psí".


    A aplicação da técnica, realiza-se da seguinte maneira:

    - Antes de dormir, procure se imaginar, intensamente, experimentando um sonho ou vivenciando um sonho como se já estivesse nele. Ainda durante esse exercício imaginativo - acordado - reconhecendo que está sonhando.

     Trata-se de uma maneira bem direta de induzir um sonho lúcido e de acordo com essa pesquisa é capaz de produzir bons resultados. Pode-se perceber uma flagrante semelhança com a técnica  MILD ou até mesmo com o THOLEY. Porém não aborda a memória da maneira como recomenda LaBerge e também não requer um empenho mais extenso e com outros elementos como sugere Paul Tholey.

     O índice de eficiência, em alguns experimentos, superou diversas outras técnicas. Parece haver uma semelhança no índice de ocorrência com a Autossugestão.

     Essa técnica me remete dramaticamente ao trecho do filme Matrix, impostado logo abaixo. "Não ache que você é... SAIBA que você é."  Transportado para nosso tema "Não ache que você pode ficar consciente num sonho... SAIBA que você consegue!"







     O Diário de Sonhos sempre é um aliado para exercitarmos nossa familiaridade com a estrutura do sonho. Assim, como nessa técnica é importante se imaginar e se reconhecer num sonho, sugiro dar uma boa caprichada nas anotações dos seus sonhos.

     Vale ressaltar que foi percebido uma grande eficiência dessa técnica, especialmente como ferramenta para controle de pesadelos.

     Para quem quer realizar algum experimento em especial nos sonhos, sugiro uma boa lida na Técnica da Incubação.


Fonte Bibliográfica:

STUMBRYS, Tadas e outros. Induction of lucid dreams: A systematic review of evidence. 2012. Conciouness and Cognition 21.
Postado por Márlon Jatahy 16

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Qual a natureza dos Sonhos Lúcidos? Estado Dissociado ou fase REM com consciência?

Uma questão intrigante colocada pelo sonhador lúcido Niro, em nosso Fórum sobre Sonhos Lúcidos:

"Não... Não estou perguntando o que é um sonho lúcido! Isso eu sei pois já os tenho há muito tempo.
Mas sim: Por que eles existem? Teriam alguma função na evolução humana?


Qual a origem dos sonhos lúcidos? Poderia ser algum tipo de alteração cerebral/mental, com potencial evolutivo? Na imagem, cena do excelente filme A Cidade dos Amaldiçoados, com Christopher Reeve.



Será que são frutos de um erro? Alguma "falha" no complexo sistema de nosso cérebro. Da qual alguns seres humanos tiram proveito para se divertir? Afinal de contas o normal, pelo menos, de acordo com a maioria, seria estar totalmente inconsciente durante o sonho."

      Uma resposta especulativa, de minha parte, vai no sentido de que ainda não existe uma pesquisa conclusiva abordando esse tema. Então a gente precisa reunir alguns indícios ou pesquisas pioneiras que se aproximem um pouco do tema e ver para que lado a coisa parece apontar. 

       Existe duas correntes trabalhando com hipóteses divergentes:

Stephen LaBerge: defendendo que o sonho lúcido é um estado mental, sustentado pela estrutura da fase REM do sono. Significaria que estar num sonho lúcido, ainda seria estar dentro da fase REM do sono.


Alan Hobson e Ursula Voss: defendendo que o sonho lúcido é um estado mental dissociado ou uma parassonia, no qual se equivale a outros estado híbridos do cérebro, como a paralisia do sono, alucinações hipnagógicas, auditivas, hipnopômpicas etc..
Porém, se partirmos apenas dessas duas perspectivas, será que iremos para lugares diferentes?!

Análise de atividade cerebral entre os estados mentais quando acordados(o superior), no estado do sonho lúcido(meio) e em fase REM comum(não lúcido). Allan Hobson e Ursula Voss, classificam o sonho lúcido como um Estado Dissociado.


      Caso seja um Estado Mental, como defende o LaBerge, fica mais aceitável que o sonho lúcido pode mesmo se tornar consequência evolucionária. Um tipo de variação da nossa mente que pode se tornar dominante, uma vez que se mostre aproveitável e seja estimulada/disseminada na nossa cultura.

      Caso seja um Estado Dissociado, como defendem Ursula Voss e Hobson, poderia ficar mais difícil tornar o sonho lúcido uma ferramenta de uso para nossa espécie. Afinal sendo um estado dissociado ou parassonia, sabemos que alguns deles são mais difíceis de se induzir... mas outros estados dissociados como a paralisa do sono, também podem ser induzidos...

      Ainda assim, independente da natureza de origem ou da verdadeira raiz de onde está partindo o sonho lúcido, podemos identificar um sensível progresso tanto do número de pessoas interessadas, como praticantes e também das atenções de grandes universidades e centros de pesquisas para com o tema.

 
Grandes centros de pesquisa e universidades na Alemanha, EUA, Inglaterra seguem se aprofundando nas pesquisas sobre sonhos lúcidos. No Brasil, tivemos o pioneirismo através da UFRN, com Sérgio Arthuro Rolim com sua tese "Aspectos Epidemiológicos cognitivo-comportamentais e neurofisiológicos do sonho lúcido". 



       Fica parecendo mais razoável para mim que o sonho lúcido, sendo um estado mental, sustentado pela fase REM ou um estado dissociado, é comprovadamente passível de indução, e por conseguinte, servirá como um grande instrumento de desbravamento da mente/cérebro/consciência, bem como uma longa lista de benefícios em áreas relacionadas.

        Vale ressaltar por fim, ser típico da natureza/universo, trilhar caminhos não lineares, mas muitas vezes aleatórios, como raízes de uma árvore que se expandem em direções diversas, com apreço pela diversidade, a qual é ela quem acaba amplificando maiores chances de permanência/sobrevivência. 


       Vejo nossa consciência nos sonhos dessa maneira. É uma porta que nos foi oferecida e que independente da forma como foi originada, estamos começando sua exploração.

Referências Bibliograficas:

(1) - Signal-verified lucid dreaming proves that REM sleep can support reflective consciousness Intenational Journal of Dream Research, volume 3, nº 1. pg 26-27 (2010).

(2) - NEUROCIÊNCIA da Mente e do Comportamento. LENT, Roberto(Coordenador).
 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

FÓRUM(questão do Niro):
 http://sonhoslucidos.forumeiros.com/t940-afinal-o-que-seriam-os-sonhos-lucidos
Postado por Márlon Jatahy 15

domingo, 13 de abril de 2014

Aplicação da Técnica das Portas

    As portas podem ser uma das mais poderosas ferramentas da consciência. Sempre serão um dos maiores símbolos de passagem de um ambiente para outro. E na estrutura mental dos sonhos lúcidos, parecem ganhar uma dinâmica toda especial, na intima relação entre desejo x inconsciente.


Abrir uma porta no Sonho Lúcido, pode trazer um processo fascinante, com referência ao estado desperto. Também irá nos levar a um novo ambiente. Ao desejarmos algo em especial, podemos realizar uma equilibrada troca com o inconsciente: oferecemos um desejo honesto, ele nos retorna uma criação em cima disso.

     Chamo de Técnica das Portas, uma das ferramentas mais eficientes - ao menos para mim - de interferência no sonho. Ideal para quem deseja prolongar o sonho, fazer aparecer alguém, um objeto ou cenário. Abordei algumas vezes sua utilidade e agora me atenho em sua aplicação detalhada.

     Cabe destacar, a existência de uma grande diferença entre "controlar um sonho" e ficar consciente nele. Isso é constantemente debatido em nosso Fórum e Grupo sobre Sonhos Lúcidos. Aqui no site, alguns textos tratam disso, especificamente sobre essas diferenças. A conclusão mais comum - incluindo a de Stephen LaBerge é de que o esforço de tentativa de "controle do sonho" é inversamente proporcional a sua duração. Em poucas palavras: tente forçar o controle do seu sonho e você acordará mais rápido.

No livro Sonhos Lúcidos, de Stephen LaBerge, verificamos alertas do autor sobre evitar querer controlar os sonhos, quando ficamos conscientes. 


     Fica claro que não se deve ter como objetivo controlar o sonho. Trata-se de um erro mais comum para aquele que ainda não compreende que sonho lúcido é apenas estar consciente no sonho. Somos intrusos, munidos de nossa consciência, no estado mental dos sonhos. E é preciso que se respeite de maneira adequada essa estrutura. O Reino do Inconsciente.

     Em situações nas quais eu desejo realizar algum experimento, brincadeira ou desafio, normalmente eu uso alguma porta ou estico meu braço para trás de outros objetos, desejando MUITO encontrar o que quero. Nunca deixou de funcionar.

       No caso das portas, elas parecem funcionar como algo totalmente relacionado com o inconsciente. Eu não desejo coisa alguma em pormenores. Apenas alguém ou alguma coisa. Uma idéia de algo, mas destituída de detalhes.



Caso nos seus sonhos, sejam frequentes a presença de casas, aproveite a oportunidade para se utilizar de suas portas. Na imagem, uma antiga casa em que morei na minha infância.


      Saber Desejar é a Chave

     Num sonho lúcido recente, eu brinquei - participando de um Desafio Lúcido, com outros sonhadores lúcidos - de procurar uma Lâmpada Mágica, estilo Alladin.
   
      No sonho, ao avistar uma cantina, percebi alguns objetos por ali e lancei minha mão sobre os artefatos, tateando, sem olhar diretamente e DESEJEI intensamente que a lâmpada do gênio fosse encontrada.



        Gosto de lembrar sempre que os nossos sonhos são produtos do inconsciente. Temos que mentalizar, rebolar ou dançar nessa margem. Esqueça querer controlar algo diretamente. DESEJE algo mais ou menos desse jeito que tenho feito e deixe o Inconsciente ou a narrativa automática do sonho desenrolar o nó para você. É como se o inconsciente precisasse de espaço para aflorar toda sua força criativa. Devemos então, trabalhar nesse limiar entre o desejo consciente e criação inconsciente.

      Usando a Técnica das Portas

      "(...)Nesse momento me esforcei para lembrar o que havia planejado no Estado Desperto. Lembrei que eu tinha pensando em saber a resposta do meu inconsciente sobre "qual seria a Mulher Ideal para mim".  Adentrei mais para o fundo da casa e abri uma porta mas nada encontrei... era um recinto vazio... e pensei... bom, vou fazer de um jeito um pouco mais desejável... de maneira mais visceral eu desejei muito encontrar minha mulher ideal.

    Abri a mesma porta agora lá de dentro daquele recinto onde seu estava, estiquei minha mão para que a minha mulher ideal a tomasse e... desejando intensamente que essa fosse minha mulher ideal...  eis que surgiu uma mulher loira, de cabelo curto, pele clarinha e sedosa a qual acariciei com minha mão. E com vibrantes olhos escuros ela me fitava!..."



     Parece existir uma forte relação, muito íntima entre portas e o inconsciente. Quando pensamos em portas no estado desperto, visualizamos uma passagem, para algo que está encoberto. Ao abrí-la, podemos acessar todo seu conteúdo. É uma analogia cabal com o inconsciente que permanece normalmente inacessível quando estamos acordados. Mas que nos sonhos, domina toda nossa estrutura mental. A presença da porta, nos permite bater um carimbo, sobre o que visceralmente estamos desejando. Nada que vá violentar o que o inconsciente está naturalmente nos trazendo.


Referência Bibliográfica:

LABERGE, Stephen. Sonhos Lúcidos. 1985
Ed. Siciliano Livros, Jornais e Revistas Ltda. 1990(esgotada)
Postado por Márlon Jatahy 21

sábado, 5 de abril de 2014

A Mão que traz Consciência: Reality Check das Mãos

      Uma das ferramentas mais simples para auxiliar na indução de sonhos lúcidos, é fazer um pequeno exercício de olhar para as mãos, durante poucas vezes ao dia. Isso é chamado de Reality Check ou Teste de Realidade. Existem diversas maneiras de se fazer um reality check. Pode ser acionando interruptores, observar a hora num relógio, puxar um dedo da mão, questionar-se como chegou até aquele local etc.. Nesse post vou dissecar mais essa incrível ferramenta de indução, mas vou me ater ao teste de realidade das mãos ou reality check das mãos.

As mãos nos sonhos tendem a refletir muito como de fato funciona a realidade sonhos: pouca lógica ou mecanicismo. O que a torna uma das ferramentas mais interessantes na indução de Sonhos Lúcidos. Na imagem, "A Mão", de Salvador Dali.



      Um reality check vai estimular ou nos condicionar, para em momentos específicos, trazermos à tona um pensamento crítico-reflexivo: "estou sonhando ou não?"

      Os momentos ideais:

      Certos momentos em nossas rotinas se destacam por algum tipo de peculiaridade. Preferencialmente, fique atento para eventos surpreendentes, situações que você perceba - observando seu Diário de Sonhos - ocorrerem com mais frequência nos sonhos, acontecimentos esdrúxulos ou até mesmo quando tiver que esperar em alguma fila, uma viagem ou de ócio. Em se encontrando em algum desses momentos, olhe discretamente para pelo menos uma de suas mãos e se pergunte:  "Estou sonhando ou não?"

Certos momentos no nosso dia-a-dia podem ser bem especiais para realização de um Reality Check. Não é preciso exercitar muitas vezes. Seguindo o Método de Tholey, parece razoável ficar entre 5x até 10x ao dia no máximo. O que importa é a qualidade da reflexão naquele momento.



     Explicando a indução:

      O mecanismo é bem simples. Ao se criar o condicionamento de questionar a realidade no estado desperto, invariavelmente esse tipo de comportamento será levado para os sonhos. Assim, mais cedo ou mais tarde, durante um sonho qualquer, ao vivenciar o mesmo tipo de evento, o comportamento condicionado será acionado, de forma automática(ainda não consciente ou lúcido) e ao se deparar com sua mão, eis que a estrutura inconsciente do seu sonho receberá um convidado muito especial: sua consciência!...  A sensação para quem nunca experimentou um sonho lúcido é assombrosa. É como visitar o interior da sua mente pela primeira vez. Numa espécie de mundo mental particular ou um emulador de realidade... se prepare para ser tomado pela euforia, descontrole, risos e exultação. Humilha todos os tipos de drogas ou alucinógenos indubitavelmente.



    Como a mão é observada?

     Varia bastante de pessoa para pessoa, mas como no estado mental dos sonhos, a lógica e o mecanicismo cedem um espaço colossal para a criatividade e imaginação, deixo a cargo do leitor, os infinitos tipos de mãos que poderão ser vistos.

    O índice de eficiência
 
     Sempre defendo que o reality check deve ser usado como uma ferramenta suplementar ao Diário de Sonhos e um bom Método de Indução(Tholey, WBTB, MILD...). Utilizando apenas o reality check a frequência de sonhos lúcidos pode ser baixa, mas ao aplicar junto com algum desses métodos e o Diário, suas chances irão aumentar sensivelmente.




    Com o tempo...

     Algo muito interessante aconteceu comigo nesses últimos anos.  Não me considero um sonhador lúcido de alta frequência - bons voluntário, típicos de laboratório de sono, conseguem ficar conscientes em média 2 noites por semana - pois minha frequência é errática, mas ficando consciente em média 1 noite a cada 10 dias. Ainda assim, nos últimos anos reparei que eu mal chego a olhar minhas mãos nos sonhos. Apenas começo a pensar em olhar para elas e já sei que estou sonhando.

     Minha hipótese é que com o tempo, vamos nos familiarizando a tal ponto com a estrutura do sonho que ao começarmos a execução da rotina condicionada, de olhar para as mãos nos sonhos, imediatamente já reconhecemos se tratar de um sonho. A tessitura da estrutura do sonho é rapidamente flagrada, antes mesmo de precisar olhar para as mãos.


Com o tempo, esse gatilho de consciência que são os reality checks, são acionados cada vez mais rapidamente ao ponto de nem precisarmos completar sua execução, com o processo se desencadeando de maneira quase imperceptível.

     Exemplos de aplicação do Reality Check:

     Tempos atrás eu estava sonhando muito que voava. Minha forma de locomoção nos sonhos de repente era só voando!... Aquilo chamou minha atenção e assim que percebi, passei a aplicar meus reality checks das mãos, imaginando-me durante o estado desperto que estava voando. Tive êxito logo em seguida. Na época aplicava Tholey com os Reality checks, sempre usando o Diário.

    Caso esteja sonhando muito com gatos, acidentes, pássaros ou qualquer outro tema recorrente, pode aproveitar as situações em que acontecerem no dia-a-dia.

Postado por Márlon Jatahy 17
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